domingo, 24 de agosto de 2025

OS GRANDES TEXTOS DO JORNAL DE NISA - A Romaria da Comenda *


AVISO À NAVEGAÇÃO!
 Estes textos que iremos publicando, não são "GRANDES", no que respeita à extensão, nem serão os "MELHORES". Esta classificação é apenas nossa. São aqueles escritos que ao longo de mais de 10 anos publicámos e que ainda hoje gostamos de ler ou reler. Fica o alerta, para não haver interpretações duvidosas.

A ROMARIA DA COMENDA *

Nesta região e por todo o Alto Alentejo, por terras da Beira e Extremadura Oriental, é a romaria a Nossa Senhora das Necessidades uma das mais concorridas.

Pode computar-se em muitos milhares o número de pessoas que, levados pela crença ou por mera diversão ou ainda solicitadas por negócios de vários géneros, acorrem ao descampo em que, no primeiro domingo de Setembro, se festeja ruidosamente a milagrosa padroeira da freguesia da Comenda.

Vem de tempos imemoriais a devoção destas gentes pela Senhora das Necessidades e a fama da importantíssima feira realizada por ocasião da festa, também desde remotas eras chama ao ermo e inóspito local, provindos dos mais remotos confins do país, toda a enorme legião de negociantes de gados, quinquilheiros, ourives, etc., etc., não faltando nunca a palreira, astuciosa e turbulenta fauna da ciganagem.

De Nisa, embora não tanto como há meio século, ainda hoje a concorrência é numerosa e é interessante assistir à partida ou regresso das inúmeras carretas (carros de bois) meio de transporte de que preferentemente se serve a maioria dos romeiros.

Estes rápidos e cómodos veículos levam todos um estético toldo, cujo esqueleto é formado por três ou quatro arcos de salgueiro ou de ferro, atados aos fueiros ou apoiados nos tendais e por algumas canas unindo os arcos, sustentam um lençol de estopinha ou panal de linhagem, previdente defesa dos romeiros contras as inclemências solares ou contra a surpresa de uma chuva intempestiva.

Às primeiras horas do serão de sexta-feira anterior ao dia da festa, começam a chegar a Nisa, as carretas dos ratinhos e montezinhos. Aqui fazem a primeira etapa do difícil e prolongado trajecto e, no Rossio ou em qualquer outro largo, logo improvisam bailes que, entre constante alarido, só terminam quando de novo se põem a caminho.

Pelas oito ou nove da noite, as carretas com os romeiros de Nisa. Dentro delas amalgamam-se dez e mais pessoas, até caberem e, durante as intermináveis horas que o passo dos pachorrentos bois leva a vencer os vinte e tantos quilómetros entre Nisa e a Comenda, as gargantas das jovens não cessam de atirar à espessura da noite, a alegria estrídula dos seus cantares.

As carretas da Comenda! Que recordações ficam pela vida fora a tantos que, nos dois dias da romaria, neles continuam as indílicas doçuras da lua de mel!...

Raros são os casadinhos de há pouco – e em Nisa quase todos os casamentos se realizam em Agosto – que não vão à Senhora das Necessidades. E creio suceder o mesmo na maioria das terras desta região.

É assim, com o capídinco fogo a estudar no peito e com as labaredas incendiárias a fuzilar em olhos que são crateras de desejo, na aspereza do terreno calcinado por um sol esbraseante, cujos raios os toldos das carretas suavizam, ou à luz das estrelas, do alto a sorrirem aos amorosos pares, a mocidade vive ali inolvidáveis horas que para sempre lhes vincam na alma o traço rutilante duma dúlcida saudade.

As carretas da Comenda! Estou agora a vê-las aos tempos longínquos da minha infância e recordam-me episódios vários, entre eles um, conhecido da maioria dos nisenses e que a tradição dá como sucedido há muitíssimos anos.

Na ocasião da romaria é frequente ouvir-se falar do caso, por entre os comentários hilares e jocosos com que se costuma sublinhar a graça duma picaresca anedota.

Foi o seguinte:

As famílias que projectam a digressão à Comenda, reservam sempre para esta oportunidade o melhor naco de presunto, a mais apetitosa rodela de lombo e outras virtualhas que lhes garantem, nos dois dias de festa, suculentas e melhores refeições. Mas – pelo menos noutros tempos era assim- o que não faltava nunca eram as tradicionais almôndegas de batata!

Ora, num certo ano, à hora da partida, uma das tais carretas, cobertas com um alvíssimo toldo de estopinha, esperava que nela tomasse lugar, um numeroso grupo de romeiros. A pacífica junta de bois, garridamente ajaezada com largos e vistosos colares de reluzente pregaria, ia acompanhando as pacientes ruminações com o tilintar  compassado das monótonas esquilas.

Umas dez pessoas se instalaram no leito da carreta sobre pequenas cadeiras, mas, antes disso, cda qual tratou de acautelar, o melhor que pôde, o respectivo farnel, dependurando-o por meio de ganchos de arame dos arcos de salgueiro que sustentavam o toldo.

E, com o carreteiro à frente, de aguilhada ao ombro, iniciou-se a viagem e, com ela, o gargantear alegre e ininterrupto das lindas moças que no carro seguiam.

Sob a alvura do toldo como pêndulos, oscilavam, bamboleavam, as bolsas, as cestas, os canados, onde iam as provisões para dois dias.

A noite estava escura, parecendo assim maior a cintilação das estrelas. Tinham passado o Figueiró, a Coutadinha, a Lage da Prata, a Lameirancha…

O carreteiro, farto de palmilhar à frente dos bois, tomara assento da carreta e… cabeceava. Calara-se havia pouco o orfeão e um dos componentes, solicitado talvez por um imperativo gastronómico, pergunta à consorte:

- Ó Maria, sempre fizeste as almôndegas?

- Pudera!... – volveu a mulher. Vão ali no canado.

E indicava-o sobre a cabeça, pendendo dum dos arcos do toldo.

Entretanto, o carreteiro adormecera profundamente, e os bois, enveredando livremente para uma profunda sob-roda, precipitaram nela a pesada viatura com a respectiva carga. Por sorte, os animais pararam logo e do desastre, que poderia ter graves consequências, não resultou para os passageiros, sequer uma leve contusão.

Refeitos do susto, verificaram que grande parte dos farnéis se encontravam dispersos pelo chão. O célebre canado rebolara para uns dez metros do local sinistro, destapara-se com o choque e das almôndegas, nem uma só ficara dentro.

Mas, apesar das trevas da noite, sobre a areia branca do caminho destacavam-se, aqui e além, uns pequenos corpos escuros. E, à pressa, marido e mulher trataram de apanhá-los, reenchendo com eles o canado. Risotas, gargalhadas e toca para diante.

Ao amanhecer estavam na Comenda. Por todo o vasto campo era o sussurro, o alarido, a confusão de sons e cheiros característicos das feiras regionais. Pouco depois, a filarmónica do Gavião, regida pelo mestre Viras, dava a alvorada com um extravagante passe-dobrado. Era marcial, o clangor dos cornetins, só comparável ao estridente arreganho com que a certa altura, calados todos os naipes, os executantes gritavam: - “ Avança com ele, força!

Toda a feira ria e os nossos romeiros, bem dispostos, apesar dos percalços do caminho, resolveram atacar pela primeira vez os viáticos opulentos.

Estendem, junto à carreta, as níveas toalhas e, sobre elas colocam o pão, as marmitas, etc.

Lá está também o canado.

Uma voz – “Façam favor de se servirem duma almondegazinha…”

Com o canado cingido pelo braço esquerdo de encontro ao peito, a oferente tira a tampa de cortiça com a mão direita e expõe o conteúdo à vista e cobiça dos circunstantes.

 Mas – ó céus! – o maldito canado estava cheio de almôndegas, mas não eram as que a boa mulher com tanto apuro tinha confeccionado! Eram outras, que os jumentos da ciganagem sobre a areia tinha deixado e a escuridão da noite não permitira distinguir das autênticas!!!

O homem ficou passado e a mulher trespassada, mas os outros convivas iam rebentando a rir!...

J. Figueiredo

* Texto publicado no jornal "Brados do Alentejo (1933) e republicado no "Correio de Nisa"  nº 7 - 2 Set. 1945

JORNAL DE NISA. As águas da Barragem em bolandas

 


"Águas contaminadas na Barragem da Póvoa" foi o grande destaque da capa do Jornal de Nisa nº15, saído a público no dia 2 de Setembro de 1998. A notícia em forma de alerta justificava-se amplamente quer por tratar-se de um bem de  consumo e imprescindível, a água, quer pela quase ausência de informação por parte das entidades públicas (saúde e autarquia) explicando o que se passava e tranquilizando a população. Para além do título na capa e da notícia no interior, fomos mais longe e em artigo de Opinião escalpelizámos o assunto e questionámos a (ir)responsabilidade de quem devia, em primeiro lugar e tempo próprio dar as informações que faltavam. Na capa, noticiámos a morte de Fausto Mourato, um artista plástico alpalhoense, pouco conhecido na sua terra e no concelho, mau grado ter uma obra artística distinguida a nível nacional e internacional. 
Os artigos de Opinião estavam bem representados neste número do jornal. Florinda Fortunato escrevia sobre "O Dono do Mundo", José Dinis Murta sobre "Notas de Férias", e António Conixa sobre as "Bombas do "Bombinhas", texto que recortámos e publicamos mais abaixo. Ainda em tempo de festas e romarias, trazíamos a público o programa das festas da Senhora dos Remédios em Montalvão e da Senhora da Sanguinheira em Amieira do Tejo. Um texto de sabor etnográfico e divertido do prof. José Francisco Figueiredo que fomos buscar à edição do "Correio de Nisa " de 2 de Setembro de 1945, descrevi a Romaria da Comenda, ou melhor, a viagem de uma família nisense, feita em carroça e cheia de peripécias, até à Comenda. 
Muitas outras notícias encheram as páginas desta edição, desde o desporto, à cultura, Cantinho do Emigrante, Página da Saúde e outras. O jornal dispunha apenas de 1 páginas, mas temas para muitas mais não faltavam. O hábito da leitura ainda não tinha desaparecido e, por vezes, a avidez de consulta do "Jornal de Nisa" era tanta que não era raro desparecerem páginas inteiras ou pedaços de jornais postos, gratuitamente, à disposição dos leitores na Biblioteca Municipal. Quem havia de dizer...



terça-feira, 19 de agosto de 2025

JORNAL DE NISA: O futebol e as aspirações do Nisa e Benfica


 Dizem que não há coincidências, mas o nº 14 do Jornal de Nisa, saído a público no dia 19 de Agosto de 1998, tocava num tema que é hoje o maior objectivo do Sport Nisa e Benfica: o regresso da equipa de futebol sénior às competições distritais. Em 1998, em grande entrevista, Joaquim Zacarias, presidente do clube, falava nas aspirações de subida de divisão. Curiosamente, quando se fala no regresso à competição da equipa sénior, já há quem aponte a subida à 3ª divisão. Calma, um objectivo de cada vez, a realidade aconselha a não dar o passo maior que a " esquinxéda". 

Nessa edição, noticiávamos o que de mais relevante aconteceu na Feira de Artesanato e Gastronomia, assinalávamos os 20 anos do boletim "O Amieirense" e em artigo de opinião, divulgámos "O Culto ao Santo António pelo povo de Arez. Nas "Locais"não faltavam os Pontá Bitéfes, um artigo sobre Amieira do Tejo, povoação que se sentia "discriminada". As Festas em Montalvão, a passagem da Volta a Portugal pelo concelho, com meta volante no Rossio, a praga dos incêndios que fazia movimentar bombeiros e GNR eram outros assuntos desta edição, tal como a Página da Saúde, e a notícia sobre o Torneio de Futebol de 5 do Nisa e Benfica ganho pelo Y Bar. Ainda o Desporto com um artigo de Fernando Correia e na última página, o habital "Do Alto do Talefe" e os Postais do Concelho. 

Há 27 anos, o futebol e as aspirações do Nisa e Benfica, na subida de divisão, eram tema de capa. O quadro competitivo na época era muito mais exigente, com duas divisões no futebol sénior. Havia mais clubes a competir, o que por outro lado, facilitava a "escolha" e transferência de jogadores. O futebol sempre exerceu uma grande atracção e paixão entre os nisenses e as rivalidades locais foram-se esbatendo, reforçando o papel do Nisa e Benfica como o "clube da terra". É essa paixão que se sente agora revigorada e que irá trazer ao campo de jogos D. Maria Gabriela Vieira, um colorido e animação diferente, abrindo um novo capítulo na história do clube. 

domingo, 3 de agosto de 2025

OS GRANDES TEXTOS DO JORNAL DE NISA - "Do Alto do Talefe"

 


AVISO À NAVEGAÇÃO! Estes textos que iremos publicando, não são "GRANDES", no que respeita à extensão, nem serão os "MELHORES". Esta classificação é apenas nossa. São aqueles escritos que ao longo de mais de 10 anos publicámos e que ainda hoje gostamos de ler ou reler. Fica o alerta, para não haver interpretações duvidosas.

À PEDRADA COM UM PENICO

Encontrei o Xico Xiaton no café, onde faz deliciosos petiscos, com uma pantufa no pé direito. Sentado, de perna estendida, um trejeito de dor nos lábios, com os braços em arco abraçando o volumoso abdómen, o Xico sofria.

O meu amigo Xico sofre de gota.

Segundo a Drª Vera, do Instituto Português de Reumatologia, dentro das doenças articulares metabólicas, a GOTA, classicamente, é a mais antiga e digna representante. Doença dos reis e das classes abastadas, nada mais é do que um erro do metabolismo das proteínas que faz com que o ácido úrico aumente sobremaneira na circulação sanguínea, chegando a níveis tais que acaba por se depositar nos tecidos, preferencialmente intrarticulares. O resultado são crises realmente agudas de artrite, mais comummente do primeiro dedo do pé ou do joelho dos homens na 3ª ou 4ª décadas de vida.

Pois é verdade, o meu amigo Xico sofre de GOTA. Doença de reis e de gente abastada... Quem diria, Xico!

Quarenta anos atrás, o Xico, o Jule, o Zé de Nisa, o Tonho, o Alforedo, o Joã, e outros de pé descalço e calção aberto para mais rapidamente se aliviarem, corriam desalmadamente pelas ruas e azinhagas de Nisa.

Sem doenças de reis, brincavam em grupos de vizinhos com brinquedos de pobres. Sendo que, um dos divertimentos mais populares era a guerra das pedras. A Fonte da Cruz contra a Devesa, a Fonte da pipa contra a Vila. “Quem não é da minha rua, merda para a sua”, era um dos gritos de guerra.

Mais rapidamente do que hoje, com ténis Nike ou Adidas, era vê-los: os pés descalços, com solas mais rijas que o aço, as canelas cheias de crostas de feridas que nunca cicatrizavam, os dedos dos pés com unhas que de tantas topadelas dificilmente cresciam, a correr por entre poças de água, pelos pastos, ou em grande algazarra a descer ao escorregão pelas pedras junto à Praça de Touros, ou na Azinhaga do Depósito da Água.

Mas, era à pedrada que a adrenalina inundava a juventude naquele tempo.

Na Devesa, era difícil porque os locais se defendiam atrás das inúmeras carroças, que estacionavam no largo; na Fonte da Pipa eram as paredes de pedra que os protegiam.

De vez em quando, o azar batia à porta, mais propriamente à cabeça de algum mais descuidado.

Cabeça aberta, o sangue a pingar, um choro envergonhado, e vai de correr para casa para o regaço da mãe, fazer o curativo antes que o pai chegasse e ralhasse.

Ora, entre os artistas da pedrada havia um, que não esquece, nem ao Xico nem a nenhum dos que com ele conviveram: era o Xico Carneiro.

Canhoto, era temível pela pontaria aos gatos, aos pássaros e às cabeças dos adversários. E se no aspecto físico era idêntico aos outros nas mazelas que exibia, de uma coisa se podia orgulhar: nunca lhe partiram a cabeça.

Porque era esquivo? Por inépcia dos adversários? Nada disso. Tão simplesmente porque o nosso homem, sempre que tocava a reunir, corria a casa pegava num penico e zás: com a asa para trás, enterrava o penico na cabeça, qual guerreiro medieval.

A sua aparição infundia respeito, e não raros eram os que, mal vislumbravam a asa do penico, logo debandavam em precavida retirada estratégica.

De entre tantos companheiros desse tempo, não me lembro de quem lhe tivesse partido o penico, quanto mais a cabeça.

Já agora Xico, o tratamento da GOTA é feito com sintomáticos com o os anti-inflamatórios, além do allopurinol que irá controlar o metabolismo proteico, sendo que a opinião de um reumatologista é imprescindível.

Mas, quando a malta se juntava quem é que queria saber disto?

Um destes dias vou fazer-te uma visita, se me prometeres preparar um maranho, um pão do ti Virgílio e uma magnífica garrafinha de vinho Chelse, do tal...

E, não te esqueças de comprar uns cartuchos; é que as rolas estão aí, estão a chegar. Entretanto, toma lá um abraço amigo, do

Zé de Nisa - in Jornal de Nisa nº 13 - 29 Julho de 1998


JORNAL DE NISA: Não há festa como a nossa!

 

Era tempo de festa e o Jornal de Nisa associava-se a ela, com uma edição de 16 páginas, a primeira por sinal e com a capa totalmente a cores, além de muita informação, artigos sobre cultura, desporto, opinião e, claro, o destaque principal para a Feira Regional de Artesanato, Gastronomia e Actividades Económicas. Tratava-se do nº 13 do JN com edição no dia 29 de Julho de 1998. 

Na página 2, um texto de Cruz Malpique "Fado tema... e teima em Portugal", artigo que iria "sobrar" para a edição seguinte. Imperativo legal, após seis meses de publicação, foi a inclusão do Estatuto Editorial. Na página 3, uma notícia saltava à vista: Bronca na Câmara de Nisa - Basso despromove Gabriela. Três notícias sobre a Etaproni: Recuperação de Instalações - Visita de sociólogo da Universidade de Salamanca e A Etaproni e o emprego, e a divulgação das festas populares de Falagueira e de Arez, estas sem celebrações religiosas, completavam esta página

A página 4 era dedicada à Opinião e Cultura, com texto de Anúplio Castelo Branco, "A tranca e o argueiro" criticando a falta de medidas de segurança e protecção rodoviárias. Neste local divulgámos as Exposições de António Maria Charrinho, na Biblioteca Municipal e a do Cameraman Metálico (António Melão) no edifício anexo à Pastelaria Jardim numa iniciativa da Inijovem, enquanto os Bombeiros Voluntários de Nisa promoviam o seu habitual (na altura) Convívio de Pesca Desportiva.

Notícias de Amieira, através da inexcedível colaboração de Jorge Pires, dava conta e alertava para a degradação da Praça Nun´Álvares, bem como do êxito da Grande Noite de Fados realizada na antiga escola e organizada pelo Clube de Pesca e Caça. Na mesma página 5, em Passos do Concelho, tratava-se de esgotos e sucatas, problemas locais que, geralmente, andam juntos.

A página 6 era preenchida com publicidade. A publicidade nos jornais (abro aqui um parêntesis) mesmo sendo indesejada e mal compreendida pelos leitores (nem todos, felizmente) representava, muitas vezes, a garantia e salvaguarda tanto de cada edição, como da manutenção de cada título. Ninguém pense que um jornal, por muito bom que seja, consegue "aguentar-se", ter dinheiro para pagar os custos de cada edição, materiais, jornalistas, impressão, expedição, etc., etc. apenas com o resultado das vendas de cada exemplar. Seria bom que assim fosse e explicaria quer o nosso desenvolvimento cultural, quer a apetência pela leitura que, como sabemos, deixa muito a desejar...

Avancemos. A Página da Saúde tentava sensibilizar para a Relação utentes /Centro de Saúde e noutro texto explicava "O que é ser Voluntário". As páginas centrais, 8 e 9, eram dedicadas à Feira Regional de Artesanato, Gastronomia e Actividades Económicas. Uma ideia nascida quando a Região de Turismo de S. Mamede dava os primeiros passos, seguida durante anos pela generalidade dos municípios norte-alentejanos e depois subvertida ao gosto de cada protagonista autárquico, dois deles, vizinhos a copiarem-se um ao outro sobre a "febre festivaleira", os "artistas" da estranja importados, alguns a peso de ouro, os "espectáculos das multidões" para os drones filmarem e a comunicação social da corte difundir, enquanto o artesanato e as gastronomia foram sendo esquecidas do menu inicial, relegados para um plano de "faz de conta". 

Na página 11 a opinião de José Dinis Murta e de António Conixa e na página 15 a prioridade era dada ao Desporto. Noticiámos o Torneio de Futebol de 5 do GDR Alpalhoense. Participaram 16 equipas, sendo 10 de fora do concelho. Ainda em Alpalhão, o destaque para o Ciclo Cross ou BTT promovido pelo Grupo Ciclo Alpalhoense e que contou com inúmeros atletas de Alpalhão, Portalegre e Castelo Branco. Nesta secção, António Conixa assinava outro texto "A guerra pela taça". As páginas 10, 12 e 14 eram ocupadas com publicidade, a fazer jus às 16 páginas e à edição da capa a cores. Na última página do Jornal de Nisa, a rubrica "Do Alto do Talefe" brindava-nos com um texto bem humorado "À pedrada com um penico". O ti João Diogo, músico, era chamado para os Postais do Concelho como exemplo de persistência e de amor à música, a ser seguido pelas novas gerações.


terça-feira, 29 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: A importância dos Correios e da Liga dos Amigos

 

O dia primeiro de Julho de 1998 viu chegar mais uma edição do Jornal de Nisa, a décima segunda. Um número  ainda com as 12 páginas a preto e branco e com temas variados. Na capa, saudava-se a reabertura dos CTT após obras de remodelação. Um serviço público e fundamental para a população do concelho, ainda longe dos tempos em que a net , os telemóveis e as comunicações digitais haveriam de ocupar as “honras” da comunicação.

Na capa, a referência ao Referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (aborto) assunto de capital importância, a nível da saúde e da sociedade, mas cujos resultados não tiveram expressão na participação dos cidadãos e eleitores. Triunfou o SIM, num acto referendário em que a foi maior a abstenção, talvez por ser tempo de férias, desmotivação face ao problema ou fraco envolvimento dos partidos.

Henrique Fortunato “batia com a porta”, demitindo-se de presidente da Junta de Freguesia de Alpalhão, cargo para o qual tinha sido eleito pelo PS nas eleições de Dezembro de 1997. Justificou com razões pessoais, mas à demissão não deve ter sido alheio o facto de o executivo ser de maioria relativa (PS, PSD e CDU). Mais tarde, em entrevista ao Jornal de Nisa, confidenciava-nos que “gostava de se dar bem com toda a gente e que o cargo só dava chatices e incompreensões”.

Na capa, ainda, a notícia da criação da Liga dos Amigos do Centro de Saúde de Nisa e as habituais chamadas de atenção para as secções de cultura, desporto, pontá bitéfes e outras.





quinta-feira, 24 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: O Queijo de Nisa e a morte de Temudo Barreto


 Na capa de um jornal - o “mostruário” de cada edição - aparecem, muitas vezes, temas e situações que o comum do leitor julgaria antagónicas e até, inconciliáveis. A capa ou “montra” de um jornal “puxa” para o local mais visível, os temas com que procura não só dar relevo a cada edição, mas também interessar o leitor e levá-lo à compra do periódico, seja ele de âmbito nacional ou regional.

A capa do nº 11 do Jornal de Nisa, edição de 17 de Junho de 1998 é um desses exemplos que em cima explicamos. O Queijo de Nisa, com a sua Feira e diversas iniciativas ao queijo associadas davam relevo a um produto alimentar característico da nossa região. Mais abaixo, com igual destaque, o anúncio da morte do professor Manuel Joaquim Temudo Barreto.

No restante espaço havia chamadas de atenção para o Desporto e a carreira de José Lopes, um nisense em França, o X Passeio de Cicloturismo de Nisa e o Concurso de Pesca Vila de Nisa. Em “Canto do Saco” dávamos a conhecer Fragoso de Sequeira, um nisense de “vistas largas. A Página da Saúde, a notícia da adjudicação de terreno para construção da ETAR de Nisa, eram outros dos temas em destaque.


POSTAIS DO CONCELHO - Aldeias do Interior Alentejano: Quem lhes trava o envelhecimento progressivo e a "morte lenta" acelerada?


OS GRANDES TEXTOS DO JORNAL DE NISA - A Romaria da Comenda *

AVISO À NAVEGAÇÃO!   Estes textos que iremos publicando, não são "GRANDES", no que respeita à extensão, nem serão os "MELHORE...