terça-feira, 29 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: A importância dos Correios e da Liga dos Amigos

 

O dia primeiro de Julho de 1998 viu chegar mais uma edição do Jornal de Nisa, a décima segunda. Um número  ainda com as 12 páginas a preto e branco e com temas variados. Na capa, saudava-se a reabertura dos CTT após obras de remodelação. Um serviço público e fundamental para a população do concelho, ainda longe dos tempos em que a net , os telemóveis e as comunicações digitais haveriam de ocupar as “honras” da comunicação.

Na capa, a referência ao Referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (aborto) assunto de capital importância, a nível da saúde e da sociedade, mas cujos resultados não tiveram expressão na participação dos cidadãos e eleitores. Triunfou o SIM, num acto referendário em que a foi maior a abstenção, talvez por ser tempo de férias, desmotivação face ao problema ou fraco envolvimento dos partidos.

Henrique Fortunato “batia com a porta”, demitindo-se de presidente da Junta de Freguesia de Alpalhão, cargo para o qual tinha sido eleito pelo PS nas eleições de Dezembro de 1997. Justificou com razões pessoais, mas à demissão não deve ter sido alheio o facto de o executivo ser de maioria relativa (PS, PSD e CDU). Mais tarde, em entrevista ao Jornal de Nisa, confidenciava-nos que “gostava de se dar bem com toda a gente e que o cargo só dava chatices e incompreensões”.

Na capa, ainda, a notícia da criação da Liga dos Amigos do Centro de Saúde de Nisa e as habituais chamadas de atenção para as secções de cultura, desporto, pontá bitéfes e outras.





quinta-feira, 24 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: O Queijo de Nisa e a morte de Temudo Barreto


 Na capa de um jornal - o “mostruário” de cada edição - aparecem, muitas vezes, temas e situações que o comum do leitor julgaria antagónicas e até, inconciliáveis. A capa ou “montra” de um jornal “puxa” para o local mais visível, os temas com que procura não só dar relevo a cada edição, mas também interessar o leitor e levá-lo à compra do periódico, seja ele de âmbito nacional ou regional.

A capa do nº 11 do Jornal de Nisa, edição de 17 de Junho de 1998 é um desses exemplos que em cima explicamos. O Queijo de Nisa, com a sua Feira e diversas iniciativas ao queijo associadas davam relevo a um produto alimentar característico da nossa região. Mais abaixo, com igual destaque, o anúncio da morte do professor Manuel Joaquim Temudo Barreto.

No restante espaço havia chamadas de atenção para o Desporto e a carreira de José Lopes, um nisense em França, o X Passeio de Cicloturismo de Nisa e o Concurso de Pesca Vila de Nisa. Em “Canto do Saco” dávamos a conhecer Fragoso de Sequeira, um nisense de “vistas largas. A Página da Saúde, a notícia da adjudicação de terreno para construção da ETAR de Nisa, eram outros dos temas em destaque.


POSTAIS DO CONCELHO - Aldeias do Interior Alentejano: Quem lhes trava o envelhecimento progressivo e a "morte lenta" acelerada?


sábado, 19 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: O tempo dos artistas, Vasco da Gama

No dia 3 de Junho de 1998, o Jornal de Nisa trazia a público a edição número dez. A caminhada iniciada em Janeiro iria prolongar-se por mais 255 edições até Outubro de 2008. Se outros méritos não teve, este, o da longevidade e da persistência, entre outros, ninguém lhe pode tirar.

O número dez, na esteira dos anteriores, mantinha os valores da qualidade e da diversidade. Melhorámos de edição para edição e esta, a da dezena, era bem a prova desse esforço.

A capa, sóbria e diversa, destacava a jovem nisense Susana Sequeira que entrevistámos na “Erva Cidreira”, a propósito da exposição que realizara, em Maio, na Biblioteca Municipal.

Dávamos notícia sobre a participação do Município num seminário sobre centros históricos em Itália e em grande destaque - bem merecido, sublinhe-se - o espectáculo memorável e dedicado a Vasco da Gama, “Tempo de Cante, Vinho e Paixão”.

Notícias eram ainda a Feira de Velharias, iniciativa que bem poderia ter melhor acolhimento e sequência.

O “Projecto Vida” de vários núcleos distritais, juntaram-se para uma iniciativa nacional “Por este Tejo abaixo” , com início em Espanha e final na Expo 98 e na Cultura, o mês de Junho mostrava-se muito animado com diversas iniciativas.

No Desporto, o Distrital da 1ª divisão chegava ao fim, com o Alpalhoense a garantir a manutenção, e fazíamos referência ao IV Convívio de Pesca Desportiva dos Bombeiros de Nisa realizado a 23 de Maio. O Convívio de Pesca “Vila de Nisa” merecia também honras de notícia, mais uma das excelentes iniciativas que se faziam em Nisa, pelo desporto e sobretudo, pelo convívio, que “morreram”.

No interior, o segundo texto de Luís Pedro Cruz sobre “Vila de Nisa, evolução urbana e formas de habitar”, o artigo de Opinião de José Carrilho Ralo sobre o Relatório do “Estudo do Queijo de Nisa (1987-1988), a Página da Saúde, “Erva Cidreira” com a Agenda Cultural, um texto de Florinda Fortunato “Olhares de Maio” e a chamada de atenção para várias exposições. No Cine Teatro, José Manuel Lopes mostrava cartazes e fotografias de estrelas de cinema, numa exposição intitulada “Do Céu caiu uma Estrela”. 1998 era ano de assinalar os Descobrimentos Portugueses e esse também o tema da exposição na Biblioteca Municipal. O cartaz de Cinema para o mês de Junho estava bem recheado de filmes: “Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal”, U.S. Marshal - A perseguição”, Spice World com as famosas Spice Girl, Jackie Brown, Tempestade de Gelo e, apesar do calor, as transmissões no Cine Teatro dos jogos do Campeonato Mundial de Futebol.

Não seria por falta de utilização, que a casa de espectáculos do Norte-Alentejano, seria invadida por “piolhos” ou “pulgas”...

A 27 de Junho, realizava-se o Encontro de Bandas da Inatel com as “Vassourinhas” de Olinda (Brasil) e a Orkestar Braca Kadrievi (Macedónia). Na contra-capa, um poema de Cláudia Abafa e “Do Alto do Talefe”, um texto de Zé de Nisa, mostrava a matreirice e versatilidade da “Raposa”. Uma foto da banda de Alpalhão, ilustrava os Postais do Concelho.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: Vivá Música! - 20 Maio 1998

 

A edição nº9 do Jornal de Nisa  saiu a público no dia 20 de Maio de 1998 ( por gralha ou distração,  a editora resolveu colocar a data de 20 de Abril) "pormenor que não impediu que fosse uma das primeira edições do jornal mais lidas e comentadas, na época. Não era caso para menos, a edição dava especial destaque à deslocação da Banda da Sociedade Musical Nisense à Alemanha a convite do padre Marcelino Marques, na altura pároco numa das missões católicas portuguesas naquele país.

A capa, com três fotos, todas da banda, Banda Inesquecível como se referia no título, a que se juntava o subtítulo "Jornada triunfal em terras de Alemanha", realçava também as sessões da Câmara e as locais Urb(a)nisa, Do Alto do Talefe e a Página da Saúde, enquanto no Desporto havia referências aos resultados e classificações do Alpalhoense e do Nisa e Benfica.

No interior, a viagem e as actuações da Banda de Nisa, convidada, especialmente, para abrilhantar as cerimónias religiosas da  peregrinação da Senhora de Fátima na cidade de Werl, ocupavam as páginas centrais, dando uma visão abrangente e, também, diga-se de passagem, emotiva, da presença e participação musical nisense, quer nas cerimónias de carácter religioso, quer noutras actuações de âmbito mais cultural que tiveram lugar não só em Werl como noutras povoações vizinhas. 

Na secção Canto do Saco, trancrevia-se um artigo, excelente, de António Frade. "A Terra", retirado do livro de crónicas "Cousas e Lousas". Em "Pontá Bitéfes" eram abordados temas como a satisfação por obras camarárias e outros, mais críticos sobre a falta de distinção e reconhecimento a casas onde nasceram ilustres nisenses. Foram alertas a que os responsáveis fizeram "ouvidos de mercador". Passados que foram 27 anos, nenhum executivo municipal se dignou dar resposta positiva  - eu diria mesmo obrigatória e de dívida histórica - a estas sugestões e alertas. Um tema que há-de vir a público, brevemente, seja no âmbito da campanha para as autárquicas, seja por impulso individual. Adiante...





segunda-feira, 14 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: João Afonso no 1º de Maio e temas para reflexão

 

O número 8 do Jornal de Nisa viu a luz do dia a 29 de Abril de 1998 e tinha como destaques de capa:

·JOÃO AFONSO - Um som diferente no 1º de Maio

ETAPRONI - Formação com trabalho - A formação em contexto de trabalho projectava o Ensino Profissional

À PROCURA DA ESMERALDA PERDIDA: Texto de reflexão sobre o Suicídio e apresentação de um artigo, real, embora ficcionado,  sobre o tema "O Voo Nocturno"

DIA MUNDIAL DO LIVRO com Leitura Solidária na Biblioteca Municipal

NOTÍCIAS SOBRE AS REUNIÕES DA CÂMARA E ASSEMBLEIA MUNICIPAL

ERVA CIDREIRA : A Poesia de António Branco (Montalvão)

DESPORTO: Resultados e classificações do Distrital da 1ª Divisão  e Distrital de Juniores- Concurso de Pesca dos Bombeiros - Torneio de Malha da Junta de Freguesia da Senhora da Graça - 5º Aniversário do Núcleo Sportinguista de Nisa.

No interior sobressaíam as secções Pontá Bitéfes, a Agenda Cultural, a Página da Saúde com um texto dedicado ao médico dr. Celestino Rodolfo e o Cantinho do Emigrante do António Conixa.

Nesta edição aparecia pela primeira vez a Página Jovem de Florinda Fortunato e as Histórias "Do Alto do Talefe" crónicas de grande sabor local escritas por Zé de Nisa. A primeira intitulava-se "O Gato". Mas muitas outras ficaram a perdurar como "clássicas" no nosso imaginário, tal como iremos dando conta.

Os POSTAIS DO CONCELHO mostravam, em excelente foto, a Rotunda da Devesa, espaço e estrutura urbana entretanto "arrasada" ao sabor das ideias políticas de quem vai preenchendo os lugares do poder municipal. Mas, isso, é HISTÓRIA que daria pano para mangas. Há muito que Nisa e o seu concelho deixou de ser o lugar de residência e dos afectos dos seus habitantes. Outros, que cá não moram, traçam-lhe as ruas, os sítios e impõe a modernidade das suas visões estratosféricas. Pior de tudo é que não dão cavaco a ninguém...




sábado, 12 de julho de 2025

TEXTOS DO JORNAL DE NISA - Filho(s) de um Deus menor

 


Chama-se Bernardo, mas podia chamar-se João, Manuel, António.

Tantos nomes de tantas pessoas que deambulam por aí, de olhar vazio e com o destino incerto. Chama-se Bernardo, mas podia chamar-se, José, Adelino, Joaquim...

Já foi criança, como tantas outras e, bastante novo, perdeu a mãe. Foi jovem e brincou, à semelhança  de outros jovens na rua, na conquista de lugares e territórios, criados pela sua fértil imaginação.

Depois, cresceu... No tempo, no espaço, nas atitudes. Fez-se homem e entrou de rompante no mundo que regula os comportamentos politicamente correctos ou socialmente aceitáveis: o dos adultos.

A esse tempo, Bernardo viajava já noutro universo, e noutra latitude: o dos pensamentos e ideias desconexas, e o das carências afectivas.

E no turbilhão de encontros e desencontros, de certezas e desilusões, em que o seu pequeno mundo se foi tornando, foi crescendo em Bernardo uma onda, grande, assustadora, de insatisfação, de revolta e afrontamento com a comunidade que até então o aceitara e compreendera.

Bernardo está doente e os fármacos que diariamente ingere, apenas servem para lhe acalmar, por breves instantes, a tempestade mental em que o seu corpo se revolve.

Os epítetos  de “marginal” e de “anti-social” que lhe colaram para lhe classificarem a violência dos gestos e das atitudes, cavou, mais fundo ainda, o fosso da incompatibilidade social existente. Desleixou-se e o seu aspecto físico, repele, ao primeiro sinal, qualquer tentativa de aproximação.

Chama-se Bernardo, mas podia chamar-se Fernando Eduardo, Luís...

Anda por aí, ao deus-dará, sem rumo e com milhentos rumos a fervilharem-lhe na mente, invectivando contra tudo e contra todos, dedo espetado em riste, apontando os “culpados” da sua desdita e sendo apontado por todos como o “alvo” a abater, a repelir...

Bernardo está doente e, na sua sede de justiça, no seu clamor por compreensão, sente-se vítima, repelida de uma sociedade que não pensa como ele, que não o acolhe e não lhe satisfaz os recônditos e complexos anseios..

Chama-se Bernardo e como todos os Bernardos, Antónios, Joaquins, bem precisa que as instituições ditas sociais e de solidariedade, tivessem uma palavra, mil palavras e gestos, tantos quantos os necessários  capazes de abrirem um pouco, as frestas de claridade ao mundo de trevas em que se viram mergulhados.

Bernardo está doente e mais do que os químicos e psicotrópicos que atenuam dores e ímpetos, necessitava, ele e todos os Bernardos deste país e do mundo, com urgência, que o Estado não se demitisse das suas responsabilidades e lhes criasse as condições socialmente justas e humanamente dignas, para poderem afirmar-se como pessoas e não como filhos de um Deus menor!...

* Mário Mendes - Jornal de Nisa nº7 - 15 Abril 1998

sexta-feira, 11 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: Da vida e da morte também se “compõe” um jornal


 Foi o destaque da capa do nº 7 do Jornal de Nisa, saído a público no dia 15 de Abril de 1998. No recanto superior direito, a foto de António Maria Bicho e o título “Um Adeus Inesperado”. No mês em que se comemorava mais um aniversário do 25 de Abril, a notícia da dor e a morte de um pessoa ainda nova e bastante acarinhada, “convivia” com outras mais alegres e esperançosas.

A capa do jornal anunciava nova electrificação para a Senhora da Graça e rejubilava com o projecto de formação  escola - oficina , direccionado para as áreas do barro e do bordado, a ser implementado na Etaproni e com a criação de uma nova página no jornal, a da Saúde, resultante de um acordo de colaboração com o Centro de Saúde de Nisa.

Insólita, vista a esta distância de 27 anos, a declaração dos jovens socialistas sobre a suspensão de mandato do presidente da Câmara, tema que trouxemos para a capa do jornal. Pela leitura do texto no interior, percebia-se, claramente, que a tomada de posição visava, apenas, mostrar a existência do núcleo dos jovens socialistas, criado há uns meses.

A página “Pontá Bitéfes” continuava a trazer à luz do dia alguns problemas locais, neste número alertando para a escuridão no Rossio e felicitando a autarquia pelos acabamentos na Zona F da Cevadeira e a pintura de passadeiras para peões na Rua 25 de Abril, neste caso chamando também a atenção para o reforço da segurança dos alunos das escolas.

No Desporto o destaque ia para as actividades que integravam o programa do 25 de Abril, entre estas a prova de cicloturismo “Corrida da Liberdade”, o colóquio “Futebol contra o Racismo”, além dos resultados e classificações das equipas do concelho nos distritais de futebol. O Alpalhoense com um desempenho regular na 1ª divisão e o Nisa e Benfica, a finalizar o campeonato com uma magra vitória sobre o Benavilense e a obtenção do 5º lugar na tabela classificativa, entre as 10 equipas. 

O Jornal de Nisa contribuía também para as comemorações do 25 de Abril promovendo um um colóquio sobre “Racismo e Xenofobia” com a presença de jornalistas da Rádio Portalegre e Jornal do Fundão e de um dirigente da Frente Anti-Racista.

António Conixa dava notícias sobre a Feira do Vinho em Azay le Rideau, a última página mostrava mais Alcunhas de Alpalhoenses e nos Postais do Concelho, uma belíssima foto da Central da Velada e do seu enquadramento paisagístico.

“Filhos de um Deus Menor”, um artigo de opinião, convidava à análise e reflexão sobre muitos dos comportamentos dos jovens e da indiferença da sociedade. Um texto que colocamos aqui, por manter plena actualidade.

 

terça-feira, 8 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: 10 Anos da Sociedade Musical Nisense


 A edição nº 6 do Jornal de Nisa saiu a publico no dia 1 de Abril de 1998. Dez anos após a criação da Sociedade Musical Nisense (1988) tema que foi o grande destaque deste número.  A capa vinha, aliás, bem "recheada" de títulos , desde os 5 anos de funcionamento da Biblioteca Municipal que se assinalavam à realização da Feira do Livro e à "participação entusiástica" no Corta-Mato Escolar que animou o Rossio da vila.

A Cultura estava bem representada neste número de Abril com a página "Erva Cidreira", poemas de Fernando Pessoa e António Bento, um excelente texto de José Dinis Murta "Segunda-feira "vai-se" À Senhora da Graça, a habitual página de Luís Pedro Cruz "Urb(a)Nisa" e na contra-capa continuava descrição das Alcunhas Alpalhoenses, trabalho de Joaquim Carrilho Capelão de 1986. As secções de Desporto, Cantinho do Emigrante e os Postais do Concelho, a par da informação sobre os espectáculos de cinema, completavam esta edição do Jornal de Nisa. 





sexta-feira, 4 de julho de 2025

A IMPRENSA EM NISA: O tempo de "As Férias"


 Era um jornal de estudantes e o primeiro número saiu a público no dia 6 de Agosto de 1916. Intitulava-se como um "Semanário anunciativo, literário e recreativo", com quatro páginas e publicados aos domingos. Tal como o seu nome indicava era produzido e distribuído durante as chamadas "férias grandes" ou de Verão. A ficha técnica informava sobre os principais dinamizadores do jornal que era composto e impresso na Tipografia Casaca em Portalegre. 

"As Férias" tinha como director, neste primeiro número, Ernesto Subtil, J Dinis Fragoso como redactor e João G. Reisinho como editor. A redacção e administração funcionavam no Outeiro - Niza e tinha como administrador José A. Fraústo Basso e secretários da administração C. Bento Pestana e Julio C. Frade. O primeiro número não traz qualquer referência ao número de exemplares impressos (tiragem), mas refere na última página as condições de assinatura e o preço de cada número avulso: 20 réis. 

"As Férias" iniciaram a publicação já com um apreciável número de anunciantes, conforme alguns dos anúncios que anexamos e que constituem também matéria para estudo sobre a actividade comercial e industrial em Nisa no princípio do século passado. Sobre a apreciação acerca do conteúdo do jornal, reservamo-la para outro texto. . 





JORNAL DE NISA: Um Alpalhoense de "sangue na guelra" destaque do nº 5

 

"Um Alpalhoense de sangue na guelra", foi o título que demos à entrevista que fizemos a António Eustáquio, a primeira grande entrevista do jornal, género que passaria a constituir um dos traços fundamentais do quinzenário regionalista e independente. Entrevistas, esta e outras,  que ficaram para a história sobre figuras do concelho que se destacaram em diversas áreas do labor e do conhecimento. E serão, estou certo, importantes acervos de dados e fontes a que, actuais e vindouros poderão recorrer para estudos biográficos e históricos.

O Jornal de Nisa mantinha a linha de orientação traçada no primeiro número e temas como a história do território e arquitectura urbana eram devidamente explanados em Urba(n)isa", através de Luís Pedro Cruz. 

Os problemas locais e as obras municipais eram objecto de constante preocupação e tratados em rubricas como Pontá Bitéfes e Canto do Saco. Não faltavam os temas de Cultura e Desporto e, pasme-se, neste número aventurámo-nos a publicar uma receita gastronómica regional "Lampreia à moda do Ti Zé Ralo". 

Na última página prosseguia a "Doutrina para um Mini Estatuto do Homem" de Cruz Malpique, a descrição das "Alcunhas dos Alpalhoenses" e incluíamos um poema inédito de José Gomes Correia. mesmo ao lado dos "Postais do Concelho" cujo tema era, uma vez mais, o património. 

Saiu a público esta edição do Jornal de Nisa a 18 de Março de 1998. A preto e branco e com o preço de capa de 100 escudos, o jornal afirmava-se paulatinamente, como é timbre dos projectos que "querem andar depressa" segundo a "passo de caracol". Ou, como diria o outro: devagar se vai ao longe...

Assim foi: uma "lonjura" de mais de dez anos. 


quinta-feira, 3 de julho de 2025

JORNAL DE NISA: Cultura e desporto para “dar e vender” no nº 4

 

O Jornal de Nisa nº 4 saiu a público no dia 4 de Março de 1998 com muitos e saborosos textos e notícias do concelho e da região.

Os temas de capa incluíam a divulgação do lançamento do livro de Dionísio Cebola (recorte em anexo), a notícia da deslocação da Banda de Nisa à Alemanha em Maio, a convite do Padre Marcelino Marques, uma nova rubrica “Erva Cidreira”, neste número dedicada à Mulher, o alerta e denúncia dos assaltos que grassavam em Amieira do Tejo e uma nova rubrica “Pontá Bitéfes” sobre problemas locais, que bem poderia servir, ao contrário do que hoje acontece, para alertar as autarquias (Câmara e Juntas) sobre situações a carecerem de resolução.

Na capa, ainda, referência ao 1º Rally Paper e no Desporto destaque para as participações do Nisa e Benfica e Tolosa no distrital de juniores. Fernando Correia assinava um excelente artigo “O Ídolo”, também com recorte em anexo para deleite de alguns leitores.

Na Cultura, José Dinis Murta concluía o Passeio à Senhora da Graça e Cruz Malpique deliciava-nos com o primeiro texto “Doutrina para um Mini Estatuto do Homem. Na contracapa, iniciávamos a publicação das Alcunhas Alpalhoenses e em Postais do Concelho, numa bela foto a preto e branco mostrávamos um exemplar do património arqueológico em que Nisa e o concelho é riquíssimo: uma sepultura antropomórfica.


JORNAL DE NISA - Plano e Orçamento do Município em destaque no terceiro número

O número 3 do Jornal de Nisa saiu a público no dia 18 de Fevereiro de 1998 e tinha como destaques de capa:

·  ASSEMBLEIA MUNICIPAL: Sim ao Plano e Orçamento – Não a mais um vereador a tempo inteiro

·  Recolha de Sangue : Jornada inesquecível

·  Biblioteca faz balanço

·  HISTÓRIA: “Incredibile Dictu – Poço medieval tapado há 30 anos!

·  CARNAVAL EM NISA

    DESPORTO: Campeonatos distritais de futebol + CDR Santana com nova direcção

·  CULTURA: Um passeio à Senhora da Graça – José Dinis Murta

      Para além destes assuntos em destaque, muitos outros fizeram parte desta terceira edição do jornal. A sessão da Assembleia Municipal onde se discutiu e aprovou o Plano de Actividades e o Orçamento Municipal para 1998 mereceu ampla referência, noticiando os aspectos mais salientes da sessão e dando voz aos representantes de cada partido com eleitos na AM.

Outra notícia que destacámos, pela sua importância humanitária foi a Recolha de Sangue, um jornada que titulámos de “Inesquecível” pelo número de dadores que se apresentaram no Quartel dos Bombeiros para doar o seu sangue. Nada menos que 83, número que deve ter constituídos uma das maiores recolhas de sangue efectuadas, tanto a nível concelhio como distrital.

Na última página, repusemos um excelente texto de António Bento sobre Alpalhão e retirado de uma das edições do “Correio de Nisa”.

Ainda na contra-capa, o destaque para o património em Postais do Concelho, rubrica que se tornaria uma referência nas 265 edições do “Jornal de Nisa”.



A IMPRENSA EM NISA: A primeira vida do "Notícias de Nisa"

 


Em 13 de Abril de 1995 surgia no concelho, o quinzenário regional "Notícias de Nisa". Propriedade de Francisco Narciso, que era também o director e tendo como chefe de redacção João Patrício, o jornal afirmava-se como "uma voz viva na defesa dos  interesse vários da nossa região. De Nisa, das suas gentes e da diáspora. Em Outubro desse ano, o jornal passaria a mensal

Na curta vida como quinzenário (entre Abril e Outubro), o "Notícias de Nisa" abordou diversos temas polémicos desde os conflitos e as relações políticas na Câmara de Nisa, que atingiram o seu ponto mais alto com a demissão de um dos vereadores da maioria camarária, à vida agitada da Misericórdia de Nisa e os conflitos entre Irmãos que culminaram com a "expulsão" de 24 membros da irmandade por parte do Tribunal Eclesiástico, sem esquecer as polémicas à volta das cerimónias da Semana Santa e os conflitos laborais na Escola do Convento em Nisa.

Há 30 anos, as pessoas - mal ou bem - ainda discutiam questões e problemas que julgavam dignos de discussão e de clarificação. Hoje, pelo contrário, vão aceitando tudo de bom grado - quantas vezes a contra gosto - para evitarem "chatices" e o envolvimento na resolução de problemas.

 

JORNAL DE NISA: O segundo número com muitas notícias

 


O segundo número do Jornal de Nisa saiu a público no dia 4 de Fevereiro de 1998, com uma tiragem de 1000 exemplares e o mesmo preço de capa de 100 escudos.

A edição mantinha as 12 páginas, duas delas de publicidade e informação de serviço público.

Os destaques da capa, iam para uma entrevista a Manuel José Belo, director da Etaproni e para vários títulos sobre temas de âmbito local. Destacava-se, por exemplo, a novas direcção da Associações de Estudantes, o abandono do cargo de Provedor da Misericórdia de Nisa e a eleição do novo Provedor. Luís Pedro Cruz continuava a sua colaboração com a série de artigos Urb(a)Niza , assinalava-se os 25 anos do BNU em Nisa , a “Página Jovem”  e um destaque para um jovem desportista, Bruno Ramos com o título “Herói por um Dia”.

O “Jornal de Nisa” dava destaque a notícias de Alpalhão e Amieira do Tejo com chamada na primeira página e no Desporto, mereciam importância as participações de Alpalhoense e Nisa e Benfica nos respectivos campeonatos distritais de futebol. Ainda no Desporto chamada de atenção para a 16ª edição da Volta ao Alentejo em Bicicleta.

No interior, destaque para o “Cantinho do Emigrante”, o “Leitor Dá Cartas” em que um leitor se manifesta sobre a “Misericórdia de Nisa e os “Excluídos” e diversas notícias sobre problemas do concelho.

JORNAL DE NISA - O Primeiro Número - Editorial

 


NOVO NOME, O MESMO RUMO

Às mãos dos leitores chega hoje, com novo título, o quinzenário regionalista e independente que o cidadão comum popularizou com o nome de “Jornal de Nisa.

Doravante este será o novo nome do jornal que continuará com voz própria, independente, pluralista e sem tutelas, seja de que tipo for, com rigor e isenção a trilhar o caminho iniciado em Abril de 1997 com “Notícias de Nisa”.

A decisão agora tomada e que vínhamos adiando na esperança de que o bom senso prevalecesse, não poderia ser mantida por mais tempo, face à necessidade, legal, do registo de propriedade pela empresa que desde a primeira hora nos abriu as portas e tornou possível o relançamento do jornal: a Publiarvis.

Um estímulo, sem o pedido prévio de contrapartidas, económicas ou de outro tipo,  e que temos feito por merecer, através da procura constante da melhoria do jornal, na feitura de informação respeitando os critérios do rigor, da objectividade e da independência, erguendo desde a base um periódico que aposta, como valores cimeiros, na defesa do concelho e da região de que é parte integrante.

Quando em Abril de 1997 saímos com o nº1 do “Notícias de Nisa” tínhamos consciência – e referimo-lo no Editorial – das dificuldades e dos escolhos que não deixaria de aparecer no caminho.

As primeiras dificuldades, resultantes da falta de credibilidade que persistiam desde a 1ª fase do “Notícias de Nisa” (1995) foram sendo, progressivamente, ultrapassadas e o jornal afirmou-se e convenceu os mais cépticos, mau grado alguns anúncios de morte prematura que lhe auguraram.

A aposta inicial foi ganha e interessava dar o salto seguinte, garantindo o “Porte Pago” e dando resposta afirmativa aos nossos conterrâneos que, dos quatro cantos do mundo, aguardam avidamente que o “Jornal de Nisa lhes leve a palavra, a notícia, a mensagem e lhes atenue, por momentos, a dor da ausência.

Não compreendeu assim o detentor do título e apesar de, legalmente, podermos ultrapassar a situação ( o jornal esteve quase dois anos sem ser publicado) preferimos iniciar um novo caminho, alicerçados na confianças dos nossos leitores, colaboradores e anunciantes que não deixarão, certamente, de reconhecer todo o trabalho que desenvolvemos.

O quinzenário regionalista e independente que, hoje, toma o nome de “Jornal de Nisa” no mesmo rumo que traçámos: o de dar voz aos nisenses de todo o concelho, apostando, cada vez mais, num trabalho de qualidade. Os novos desafios, não os tememos. E, porque são desafios, vão obrigar-nos a um esforço redobrado, procurando sempre ir ao encontro dos nossos leitores.

Com eles, com os nossos colaboradores e anunciantes, renovamos o compromisso que assumimos.

Todos serão o maior testemunho do nosso empenhamento.

A partir de hoje, nos locais de sempre e no mesmo rumo o “Jornal de Nisa estará consigo.

Contamos que esteja connosco. Sempre!

Mário Mendes

JORNAL DE NISA- O Primeiro Número - Janeiro 1998

 


O primeiro número do Jornal de Nisa saiu a público no dia 21 de Janeiro de 1998, com uma tiragem de 1000 exemplares e o preço de capa de 100 escudos.

A primeira edição tinha 12 páginas, duas delas de publicidade e informação de serviço público e a Ficha Técnica que publicamos informa quem foram os primeiros colaboradores do jornal.

Os destaques da capa, para além do Editorial,  focavam-se na primeira Reunião da “Nova” Câmara (eleita em Dezembro de 1997)  informava sobre os eleitos em todas as freguesias do concelho e destacava o concerto de Carlos do Carmo no Cine Teatro. Assuntos de primeira página eram também o Desporto e a presença do secretário de Estado no distrito, Miranda Calha e os resultados dos clubes do concelho, Nisa e Benfica, a disputar da 2ª divisão distrital  e o Alpalhoense, na primeira divisão. Como curiosidade e confrontando com os dias de hoje,  havia 16 equipas a disputar a 1ª divisão e 12 na segunda, ou seja, 28 clubes envolvidos nos dois campeonatos de futebol sénior.

No interior, destaque para o artigo de Luís Pedro Cruz  “Urb(a)Nisa”  - Vilas de fundação medieval no Alentejo”, a página intitulada “Canto do Saco” alertando sobre problemas do concelho, notícias sobre o lixo nos caminhos vicinais, o “Cantinho do Emigrante”, uma página dedicada e escrita por jovens, a página cultural com poesia e a agenda dos principais eventos no concelho e região, a página desportiva e na contra-capa um excelente texto e desenho de Diniz Fragoso, “Barros de Nisa” retirados da “Revista Alentejana” de Junho de 1957.



OS GRANDES TEXTOS DO JORNAL DE NISA - A Romaria da Comenda *

AVISO À NAVEGAÇÃO!   Estes textos que iremos publicando, não são "GRANDES", no que respeita à extensão, nem serão os "MELHORE...